Ex-secretários de Palmas são presos e ex-prefeito Carlos Amastha tem sigilo bancário quebrado em operação da PF

Investigadores acreditam que desvios podem ter ultrapassado R$ 15 milhões. Contratos ficaram em vigor entre 2014 e 2018.

Publicado em: 21 de Julho de 2020
Foto Por: Montagem G1
Autor: G1 Tocantins
Fonte: G1 Tocantins
Chistian Zini, Adir Cardoso, Claudio de Araújo Schuller e Cleide Brandão Alvarenga

Quatro ex-secretários da prefeitura de Palmas foram alvos de mandados de prisão na manhã desta terça-feira (21) durante uma operação da Polícia Federal que apura superfaturamento e fraudes em contratos de locação de veículos.

 

 O ex-prefeito Carlos Amastha (PSB), que também é investigado na ação, teve os sigilos bancário e fiscal quebrados. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a ele.

 

Até às 9h, seis dos oito mandados de prisão já tinham sido cumpridos. A PF ainda não informou quais dos alvos não foram localizados.

 

As apurações indicam que o o grupo, em parceria com empresários do ramo de locação de veículos, tenha fraudado licitações para desviar dinheiro público. Alguns dos investigados tiveram a prisão decretada por três dias e outros por cinco.

 

O advogado que representa Carlos Amastha, Adir Gentil e Luiz Carlos Alves Teixeira disse que está tomando conhecimento da decisão e vai se manifestar após conhecer as acusações. A defesa de Cleide Brandão Alvarenga informou que está acompanhando os depoimentos e deve se manifestar ainda nesta terça-feira (21). O G1 tenta localizar as defesas dos demais citados.

 

Segundo a PF, os contratos suspeitos foram fechados em 2014, durante a gestão do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB). A suspeita é que eles tenham se apropriado de mais de R$ 15 milhões.

 

A investigação indica que inicialmente a ata de registro de preços foi realizada pela Prefeitura de Porto Nacional, município vizinho a Palmas, durante a gestão de Otoniel Andrade.

 

A suspeita de fraude é motivada pelo fato de que três empresa apresentaram propostas para a licitação, mas apenas uma delas compareceu ao pregão presencial. Isso, segundo a PF, indica que o contrato pode ter sido direcionado. Além disso, as outras empresas apresentaram orçamentos com diferença constante de 2,3955% sobre as propostas da vencedora.

 

Após a realização da licitação em Porto Nacional, a prefeitura de Palmas optou por aderir a mesma ata de preços. O contrato ficou em vigor até 2018. Neste período a prefeitura de Porto Nacional pagou R$ 470 mil pelo aluguel dos veículos enquanto em Palmas os pagamentos passaram da marca de R$ 24 milhões.

 

Além dos presos, foram realizadas buscas nos imóveis de empresários e políticos nas duas cidades, incluindo as residências de Carlos Amastha e Otoniel Andrade.

 

O que diz Carlos Amastha

Após a operação ser deflagrada, o ex-prefeito de Palmas públicos nas redes sociais um vídeo em que critica a medida. Ele afirma que os investigadores escreveram uma acusação para 'iludir o juiz' e conseguir a decisão judicial para realizar a operação. Amastha afirmou que "O direito de investigar é sagrado e é uma obrigação", mas questionou a forma como foi tratado pela Polícia Federal no inquérito.

 

"Eu apareço novamente como chefe de uma quadrilha e tem que rir. Tem que rir para não chorar", afirmou. "Não entrei para isso na política. Nunca vai [SIC] encontrar nada que desabone a minha gestão", disse ele.

 

Veja abaixo quem teve a prisão decretada na operação

Por cinco dias

  1. Adir Cardoso Gentil - ex-secretário
  2. Chistian Zini Amorim - ex-secretário
  3. Claudio de Araújo Schuller - ex-secretário
  4. Marco Zancaner Gil - empresário

Por três dias

  1. Luciano Valadares Rosa - empresário
  2. Carlo Raniere Soares Mendonça - empresário
  3. Cleide Brandão Alvarenga - ex-secretária
  4. José Emilio Houat - empresário

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