Autismo: mitos e verdades

Publicado em: 18 de Novembro de 2019
Foto Por: Thais Barbosa/TV Anhanguera
Autor: Bem Estar
Fonte: Bem Estar
Charlles Rodrigues, de 8 anos, em Aparecida de Goiânia

 TEA ou Transtorno do Espectro Autista. Essa é a sigla que engloba uma série de situações clinicamente distintas que fazem parte deste complexo universo onde as pessoas apresentam determinadas características que as limitam de um contato sócio emocional padrão.

 

Há hoje uma enormidade de "fake news", mitos e verdades sobre o autismo. Fato é que a sua identificação tem aumentado entre as nossas crianças nos últimos tempos e com a comunicação instantânea e sem filtro dos nossos dias muito se fala e muito se teme sobre o TEA.

 

O que sabemos sobre o TEA? Vamos entender 5 dados essenciais:

 

1. Não há uma causa definida ou específica para o TEA. Acredita-se ser o resultado de interação entre os genes e o ambiente. Cada pessoa tem uma arquitetura genética única. Cada pessoa está submetida, desde a vida intrauterina, a influências ambientais únicas. A interação destes fatores únicos, individuais e muito próprios e específicos de cada um pode resultar no TEA.

 

2. O diagnóstico precoce é fundamental para o prognóstico. Algumas crianças apresentam sinais antes dos 2 anos de idade. Esta é uma época de ouro para o diagnóstico pois quanto antes o tratamento é instituído, melhor.

 

Os sinais de alerta mais relevantes, como exposto no Manual de Orientação para TEA elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, são os seguintes:

Até os 6 meses: poucas expressões faciais, baixo contato ocular, ausência de sorriso social e baixo engajamento sociocomunicativo.

 

Até os 9 meses: não faz troca comunicativa; não balbucia sílabas; não olha quando chamado; não olha quando o adulto aponta; imitação pouca ou ausente.

 

Até os 12 meses: não apresenta gestos convencionais (dar “tchau”, por exemplo); não fala duas sílabas juntas; ausência de atenção compartilhada.

 

Importante saber: estes sinais NÃO são sinônimo de diagnóstico de TEA. Nada disso. Esses sinais devem chamar a atenção de pais e cuidadores e quem pode fazer o diagnóstico é uma equipe especializada.

 

3. NÃO há um exame laboratorial ou de imagem específico para o TEA. O diagnóstico é embasado em escalas internacionalmente validadas que devem ser aplicadas por especialistas da área.

 

4. Existem comorbidades associadas ao TEA que devem ser identificadas. São elas: transtornos de ansiedade, ansiedade de separação, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), tiques motores, episódios depressivos e comportamentos auto lesivos, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, deficiência intelectual, déficit de linguagem, alterações sensoriais, doenças genéticas, transtornos gastrointestinais, distúrbios neurológicos como epilepsia e distúrbios do sono e comprometimento motor.

 

5. O tratamento do TEA é amplo e deve ser feito por uma equipe multiprofissional. Além do pediatra, podem fazer parte desta equipe, de acordo com as necessidades individuais de cada criança: psicólogo, psiquiatra, neurologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, geneticista, educador físico e pedagogo. A terapia cognitivo comportamental tem apresentado bons resultados no TEA.

 

Cada criança com TEA tem suas especificidades únicas e necessidades próprias. O diagnóstico precoce, sem medos ou preconceitos, ajuda infinitamente.

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