Sábado,
04 de Dezembro de 2021

Covaxin é 78% eficaz contra a Covid, diz análise provisória da fase 3 publicada na The Lancet

Vacina é baseada em vírus inativado. No começo de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o uso emergencial da Covaxin.

Autor: g1

Fonte: g1

Publicado em 12 de Novembro de 2021 (Atualizado Há 3 semanas atrás)

Legenda: Covaxin é produzida pela indiana Bharat Biotech

Autor da Foto: Reprodução/Instagram/Bharat Biotech

Dados provisórios publicados na revista The Lancet nesta quinta-feira (11) apontam que a Covaxin, vacina contra a Covid-19 produzida na Índia pela Bharat Biotech, apresentou eficácia geral de 78% nos casos sintomáticos.

A Covaxin é baseada em vírus inativado. Essa técnica utiliza vírus que foram expostos em laboratório a calor e a produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Ela é administrada em duas doses.

Segundo o estudo, não foram relatados eventos adversos graves relacionados à vacina ou óbitos entre os participantes. A maioria dos eventos adversos, incluindo dor de cabeça, fadiga, febre e dor no local da injeção, foram leves e ocorreram dentro de sete dias após a vacina.

No começo de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMSaprovou o uso emergencial da Covaxin. Segundo a entidade, o imunizante é recomendado para os maiores de 18 anos, com um intervalo entre doses de quatro semanas. Ele não é recomendada para grávidas.

Números do estudo

  • O estudo foi realizado na Índia, entre 16 de novembro de 2020 e 17 de maio de 2021

  • 24.419 participantes com 18 anos ou mais receberam duas doses da vacina ou placebo

  • O participante mais velho do teste tinha 97 anos

  • Desses participantes, 2.750 tinham mais de 60 anos e 5.724 relataram pelo menos uma condição pré-existente, como diabetes, obesidade, doença cardiovascular

  • Os autores dizem que mais pesquisas são necessárias para determinar a eficácia contra doenças graves e hospitalização

  • O monitoramento continuará por um ano

A análise de eficácia foi feita com base em 130 casos sintomáticos da doença confirmados pelo teste RT-PCR. Eles foram registrados pelo menos duas semanas após a aplicação da segunda dose. Foram 24 casos positivos entre 8.471 pessoas do grupo da vacina e 106 positivos entre 8.502 pessoas do grupo placebo, sugerindo a eficácia de 78%.

Os pesquisadores alertaram que o estudo tem muitas limitações. Por causa do baixo número de casos notificados entre a primeira e a segunda dose da vacina, eles não conseguiram calcular a eficácia após uma única dose.

"Além disso, o público do estudo limitou-se à Índia e, portanto, carecia de diversidade étnica e racial, ressaltando a importância de avaliar a eficácia do BBV152 em outras populações. Por fim, alguns grupos, incluindo gestantes, portadores de HIV ou com com grave morbidade, foram especificamente excluídos pelos critérios de inclusão/exclusão do estudo. Novas investigações serão necessárias para apoiar o uso da vacina nesses grupos", diz o documento.

Vacina não é usada no Brasil

O governo brasileiro chegou a negociar doses da vacina indiana, mas a compra foi suspensa após denúncias de irregularidades. O contrato de compra da Covaxin foi suspenso pelo Ministério da Saúde depois que uma série de supostas irregularidades veio à tona em meio aos depoimentos da CPI da Covid.

Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu encerrar o processo sobre o pedido de uso emergencial da vacina. A decisão foi tomada um dia após o laboratório indiano Bharat Biotech, que desenvolveu a vacina, anunciar a ruptura do memorando de entendimento que havia sido firmado com a empresa brasileira Precisa Medicamentos, que atuava na intermediação do contrato no Brasil.

A ruptura desse acordo fez com que a Covaxin ficasse sem representante nacional. Como o pedido de uso emergencial foi protocolado pela Precisa, na prática, o fim da representação formal prejudicou o avanço dos papéis.

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