Falta de ar deve chamar atenção, diz David Uip; médico em isolamento por Covid-19 explica os sintomas

Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Uip afirma que a doença, causada pelo novo coronavírus, é uma gripe seca, e que a febre nem sempre é um dos sintomas.

Publicado em: 28 de Março de 2020
Foto Por: Governo do Estado de São Paulo
Autor: G1
Fonte: G1
O médico David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do governo do estado de São Paulo, em coletiva de imprensa no dia 17 de março em São Paulo.

O médico David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, enviou um áudio a amigos na sexta-feira (27) e o conteúdo fez que o arquivo circulasse entre médicos: na mensagem, Uip pede atenção à falta de ar como principal sintoma de Covid-19, a doença causada pelo coronavírus Sars-Cov-2. Uip está em isolamento domiciliar desde que foi diagnosticado com a doença, na segunda-feira (23).

"O que deve chamar a atenção de qualquer um, que deve procurar imediatamente o serviço de saúde: é a falta de ar. Aumenta o número de respirações, diminui a amplitude", destacou Uip.

"Então isto é um motivo de procura imediata do serviço de saúde - mais do que a febre. A febre já não está tão recorrente como em outros processos virais. O sintoma de agravo e de ida imediata ao sistema de saúde é o desconforto, a insuficiência respiratória", disse Uip.

Ele também definiu os sintomas como os de uma "gripe seca", e disse que a febre nem sempre aparece.

"Os sintomas são curiosos, eu estou definindo como uma gripe seca. Eu pouco espirrei, não tenho coriza. São fatos novos, do tipo: mudou meu olfato, mudou meu paladar; são dois sintomas novos que eu já vinha vendo nos meus pacientes, agora tô sentindo isso no dia a dia. A febre já não está tão recorrente como em outros processos virais", afirmou Uip.

Cansaço e medo

O médico diz estar bem em seu 5º dia de isolamento. "A sensação é de que eu estou cansado, mas não tenho tido febre, não tenho tido tosse", diz Uip.

O médico declarou ainda que a intenção da mensagem não era gerar medo, mas que ele próprio teve que lidar com temores em relação à doença.

"Eu tive medo. Eu acho que, como qualquer outra pessoa, eu tive medo. Mas acho que eu controlei este meu medo de duas formas: uma, com fé. E a outra, paz na alma. Eu acho que ainda tenho uma missão para cumprir, eu acho que preciso voltar a trabalhar e eu acredito que as pessoas podem ajudar umas às outras. É sofrido? É sofrido. É doído? É doído. Mas nós vamos em frente", disse.

Pedido para população: distanciamento social

Uip também comenta que acredita que o pico da pandemia deve ocorrer durante o mês de abril e maio. "Teremos grandes dificuldades - tanto pro sistema público como privado de saúde", alerta.

"Se nós conseguirmos, através de distanciamento das pessoas, achatar a curva de ascensão, nós teremos menos infectados, menos impacto no serviço de saúde. Se as pessoas não entenderem que esse confinamento nesse momento é importante, nós vamos ter uma subida rápida do pico de doentes e isso vai ter repercussão em todo o sistema. Não tem sistema do mundo que aguente o pico de ascensão de uma pandemia, ainda mais para um vírus que é infectante." - David Uip

Uip também é diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, da USP. No mesmo dia em que ele foi diagnosticado com a doença, o governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito da capital paulista, Bruno Covas, também foram testados, mas os resultados de ambos foram negativos.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.