Preconceito contra a idade afeta as mulheres mais do que sexismo

Entre as entrevistadas acima dos 40 anos, 21% relataram discriminação

Publicado em: 19 de Dezembro de 2019
Foto Por: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Old_people_using_computers
Autor: Bem Estar Rio de Janeiro
Fonte: Bem Estar
Em pesquisa realizada com mais de 1.500 mulheres, no grupo acima dos 40 anos, 21% relataram discriminação por causa da idade

 A Riverter é uma empresa norte-americana de coworking voltada para o público feminino, especialmente as que se aventuram a empreender, cujo objetivo é buscar maior igualdade de chances para elas no ambiente profissional. Mês passado, a organização divulgou o resultado do que chamou de “The Riveter Listening Tour”: uma pesquisa com mais de 1.500 mulheres foi complementada por 100 entrevistas. O tema? Experiências no trabalho, passando por renda, raça, idade, oportunidades no emprego e barreiras impostas à maternidade.

Cerca de metade das entrevistadas até afirmou que, no geral, se sentia satisfeita no trabalho, mas a resposta apenas arranhava a superfície, porque os problemas afloravam algumas respostas depois. Entre eles, a diferença salarial, que é do conhecimento de todos: o “Global Gender Gap Report”, relatório anual produzido pelo Fórum Econômico Mundial, disseca a desigualdade de salários com o sombrio prognóstico de que precisaremos de dois séculos para resolver o problema

No entanto, o que chamou atenção na pesquisa foi que, para 58% das mulheres ouvidas pela Riveter, todos os aspectos relacionados aos atributos físicos tinham grande peso no ambiente de trabalho. E, das questões vinculadas a este tópico, a idade era o ponto nevrálgico. No grupo acima dos 40 anos, 21% relataram discriminação por causa da idade: tinham menos oportunidades profissionais, detectavam progressiva diminuição de suas responsabilidades e, em muitos casos, eram vítimas de demissões.

Amy Wilson, fundadora e CEO da Riveter, afirmou em entrevista estar surpreendida com a prevalência do preconceito relacionado à idade – talvez porque ainda não tenha batido na casa dos “enta”. Estudo publicado no começo do ano pelo “Journal of applied social psychology” já mostrara a associação do sexismo no ambiente de trabalho a um sentimento de baixa autoestima e não pertencimento que influencia negativamente a saúde mental das funcionárias. Não custa lembrar que, no Brasil, as mulheres estudam mais, mas têm renda 41,5% menor que os homens, de acordo com o Índice de Desenvolvimento de Gênero divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.