Automedicação contra coronavírus gera falta de remédios nas farmácias e prejudica pacientes no TO

Pacientes com lúpus relatam dificuldades em encontrar hidroxicloroquina nas farmácias. Preço dos medicamentos também subiu.

Publicado em: 27 de Julho de 2020
Foto Por: Divulgação
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Medicamentos de doenças autoimune desaparecem de farmácias durante a pandemia

Depois que começou a pandemia, remédios usados para o tratamento de doenças autoimunes começaram a faltar nas farmácias do Tocantins.

 

 É que muitas pessoas passaram a fazer automedicação e usar determinados medicamentos para prevenção e combate ao coronavírus, mesmo sem a comprovação de sua eficácia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda sem receita médica.

 

A técnica de enfermagem Zildene Ferreira está tendo dificuldades de comprar a hidroxicloroquina nas farmácias.

 

"Depois que começou a pandemia, eu não estou conseguindo comprar, eu acho que pelo uso, as pessoas estão usando demais e esquecem que existem outras pessoas que precisam usar".

 

O medicamento é para o pai dela, o aposentado José Ribeiro, que tem lúpus e precisa fazer o uso contínuo para o tratamento. Zildene tem todas as receitas e documentos que comprovam a doença. Mas a produto está em falta no mercado. Além disso, os preços aumentaram.

 

"Eu comprava em torno de R$ 80, no máximo. A minha colega comprou na semana passada por R$ 375 manipulado, só assim que está encontrando".

 

A técnica de enfermagem Wanderlene Ferreira precisou fazer uma vaquinha para arrecadar dinheiro e ajudar a cunhada, que também precisa da hidroxicloroquina para tratar o lúpus.

 

"Lá em Gurupi, que é a cidade onde ela mora, ela disse que estava R$ 750, ou seja, ela não tem condição de comprar esse medicamento, pois ela é muito debilitada, ela não trabalha, não recebe benefícios e quando vai comprar medicamento, ela precisa da ajuda, de vaquinha dos irmãos, amigos. Só o dinheiro dela não dá para comprar, é muito pouco".

 

A Anvisa proibiu a venda de medicamentos, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina sem receita médica. Ainda segundo as regras, a receita tem validade de 30 dias, a partir da data de emissão, e só pode ser usada uma única vez.

 

Nas farmácias de Palmas, os remédios estão em falta. Quando o estoque de ivermectina é preenchido, por exemplo, todas as unidades são vendidas em até 48 horas.

 

"Somos contra a automedicação, então, a ivermectina não é diferente. Apesar de seus efeitos colaterais serem leves e transitório, que é o período que a droga está no seu organismo, nunca é bom fazer a automedicação", explicou o farmacêutico Evandro Domingos.

 

As farmácias que venderem os medicamentos sem receita médica vão sofrer penalidades.

 

“O farmacêutico e o estabelecimento de saúde sofrerão sanções sanitárias e penalidades, de acordo com o seu órgão de classe, podendo até ter medidas de conduta ética desse profissional que dispensar sem a retenção de receita", disse a vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Tocantins, Karin Anne Margaridi.

 

A vice-presidente afirma ainda que os preços subiram por causa da alta procura e da dificuldade na produção do medicamento.

 

 "Devido a matéria prima utilizada na produção desses medicamentos, ser importada, acabou que durante a pandemia, ela ficou um pouco onerosa e verificou-se que ocorreu um aumento de até 30% no valor final desses medicamentos que estão sendo utilizados durante a pandemia".

 

A Secretaria Estadual da Saúde informou que já foram montados os processos para a compra do medicamento hidroxicloroquina. Disse que tentou fazer uma compra de urgência, mas nenhuma empresa apresentou proposta.

 

Já a Diretoria de Assistência Farmacêutica informou que vai entrar em contato com os usuários cadastrados na unidade assim que o medicamento for adquirido.

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