Hemocentro tem queda nas doações durante a pandemia e servidores temem colapso na rede

Dados apontam queda de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Pacientes que precisam de transfusões frequentes podem ficar sem atendimento.

Publicado em: 04 de Agosto de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Menino Miguel precisa de transfusões constantes para manter a saúde

Com a queda nas doações e estoques baixíssimos nos Hemocentros do estado, os profissionais da área temem um colapso na rede. Segundo os dados, a média de doações caiu cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. As bolsas de sangue disponíveis estão sendo liberadas apenas para urgências e emergências.

 

Apesar na queda das doações, a demanda por sangue continua crescendo. O Miguel, por exemplo, tem seis anos e sofre de anemia falciforme. Ele precisa de transfusão de sangue a cada três meses. Se o socorro não vier rápido ele pode até morrer.

 

"Normalmente eu vejo a coloração do rostinho, dos olhos dele já amarelados [quando precisa da transfusão]. Um dos problemas da doença são as dores, são dores muito fortes e frequentes", disse a mãe do menino, Leoneide Ferreira.

 

Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, mas o número de doações vem caindo desde o início da pandemia. "Hoje para as cirurgias eletivas, se chegar para fazer não temos. Só estamos suprindo as urgências e emergências. Tudo que vai entrando está indo para os hospitais", lamentou Robéria Fernandes, responsável pela captação de doadores em Palmas.

 

Em Araguaína, no norte do estado, o hemocentro tinha uma média de 30 doadores por dia. O número caiu bastante e agora, no máximo, sete pessoas procuram o posto de doação por dia. A queda começou em abril e vem se agravando. Quem trabalha no local teme um colapso.


"A gente não tem como substituir sangue por nenhuma alternativa terapêutica. As doenças que demandam transfusões não deixaram de ocorrer e ainda aumentaram devido à pandemia de Covid. Então, se a população não fizer seu ato voluntário, seu ato de solidariedade, fraterno, pode ser sim que venha acontecer [colapso]", comentou o gerente técnico do hemocentro de Araguaína, Juliano Ferreira.

 

A publicitária Leoneide Ferreira faz um apelo para que a população não pare de doar e mais pessoas se interessem por esse ato de amor. "Se hoje o meu filho tem saúde, se hoje ele está aqui comigo, está brincando, foi por causa da sua doação. Então você que ainda não é doador, se conscientize e doe sangue porque através da sua doação você pode salvar muitas vidas."

 

Quem pode doar

Para ser um doador é preciso ter entre 16 e 69 anos, estar bem de saúde e pesar no mínimo 50 Kg. Também não pode estar em jejum e precisa evitar alimentos gordurosos nas três horas antes da doação.

 

Os doadores ainda precisam apresentar um documento oficial de identidade com foto e no caso de adolescentes entre 16 e 17 anos é preciso de uma autorização dos pais ou responsáveis.

 

Onde doar

As unidades de coleta de sangue em Augustinópolis e Porto Nacional funcionam de segunda a sábado das 7h às 12h30. Em Palmas, a unidade de coleta anexa ao Hospital Geral de Palmas (HGP) atende de segunda à sexta-feira das 7h às 12h30.

 

O Hemocentro Coordenador de Palmas, na região norte, funciona de segunda à sexta-feira das 07h às 18h30 e no sábado das 7h às 12h30, assim como os Hemocentros de Araguaína e Gurupi.

 

Telefones para agendamento:

  • Palmas: 3218-3232 e 0800-6428822;
  • Gurupi: 3312-2237;
  • Araguaína: 3411-2915;
  • Porto Nacional: 3363-5161;
  • Augustinópolis: 3456-1153.

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