Levantamento do IBGE aponta que 220 mil pessoas passaram fome no Tocantins entre 2017 e 2018

Levantamento analisa orçamento das famílias e o grau de insegurança alimentar. Situação tem se complicado durante o período da pandemia de coronavírus.

Publicado em: 19 de Setembro de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Mulher prepara carne que serviria para alimentar seis pessoas em casa

Um levantamento do IBGE que mede o grau de insegurança alimentar mostrou que mais de 220 mil tocantinenses passaram fome em algum momento entre os anos de 2017 e 2018. A situação tem se complicado ainda mais durante o período da pandemia de coronavírus, quando muitas famílias tiveram diminuição na renda ou ficaram sem trabalho.

 

Na casa da Gilvania Alves, o almoço nesta sexta-feira (18) foi arroz e um pouco de carne. Isso para alimentar seis pessoas. "A gente recebe doação. Cesta do colégio, as vezes passa ou a gente vai atrás para ganhar cesta e o que tiver tem que dar para todo mundo", contou.

 

A pesquisa do IBGE analisou o orçamento familiar dos tocantinenses. Dizer que famílias estavam com insegurança alimentar significa que em algum momento elas passaram fome.

 

A situação ficou pior com a pandemia. O marido da Gilvania, por exemplo, perdeu o emprego e depende de bicos. O dinheiro que ganha é para complementar as doações. "Tem um bocado de conta para pagar, tudo amontoada. Porque não tá tendo jeito para pagar agora. Tem umas três de energia e umas três de água [faturas]. Tá tudo ali", lamentou.


De acordo com o levantamento do IBGE, existem três níveis de insegurança alimentar. No Tocantins, 30% das pessoas estavam no leve, 10% moderada e quase 5% grave. O sociólogo Sérgio Roberto diz que os problemas são reflexos da desigualdades social, desemprego, desperdício de alimento e falta de políticas públicas.

 

"É importante dizer que no Tocantins, antes da pandemia, já tinha um número considerável de pessoas vivendo em situação de pobreza. A partir da pandemia esse processo se agravou, levando essas mesmas pessoas a ficarem em condição de vulnerabilidade e fome", afirmou.

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