MP e Defensoria encontram problemas nos cálculos de ocupação dos leitos de UTI em Araguaína

Órgãos de fiscalização emitiram alerta após descobrirem que leitos de estabilização e UTIs pediátricas e adultas estão entrando no índice de ocupação juntas. Também ficou constatado que há leitos livres bloqueados por falta de profissionais no HRA.

Publicado em: 03 de Agosto de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins
Fonte: G1 Tocantins
Hospital Regional de Araguaína é o maior no norte do Tocantins

O Ministério Público do Tocantins e a Defensoria Pública Estadual emitiram um alerta nesta sexta-feira (31) após encontrarem problemas nos cálculos dos índices de ocupação dos leitos de UTI em Araguaína. Os órgãos de fiscalização descobriram que os boletins oficiais mostram leitos de estabilização, UTIs pediátricas e para adultos como se fossem a mesma coisa.

 

O alerta afirma que o índice divulgado feito desta forma pode levar a uma falsa sensação de segurança, uma vez que mostrariam leitos 'sobrando' na cidade, mas que não poderiam ser usados por determinados pacientes. Os leitos pediátricos, por exemplo, não podem ser usados por adultos. Também não há como fazer a intubação dos pacientes nos leitos de UTI sem os de estabilização livres, mesmo que os de UTI não estejam ocupados.

 

O MP e a Defensoria querem que os percentuais sejam divulgados de forma separada. Também foram encontrados outros problemas nas unidades de saúde da cidade. O Hospital Regional de Araguaína está com 17 leitos de UTI em condições de funcionar, mas sete deles estão bloqueados porque não há profissionais de saúde suficientes para fazer a operação dos equipamentos.

 

"A falsa impressão de que a doença está reduzindo e de que existem muito leitos de UTI disponíveis propicia o afrouxamento da prevenção e contribui para o aumento de pessoas doentes, de hospitalizados e de mortes", afirma a nota.

 

O alerta foi emitido após a análise da situação específica de Araguaína. O G1 procurou a Secretaria de Estado da Saúde para pedir um posicionamento sobre o caso e saber se a mesma metodologia de cálculo é usada em outros locais no estado.

 

A Secretaria de Estado da Saúde Saúde enviou uma nota que não informou como é feito o cálculo da ocupação dos leitos, disse apenas que os percentuais estão disponíveis no portal na internet. Informou também que está trabalhando para cobrir as escalas e reativar os leitos bloqueados por falta de profissionais, sem informar uma previsão para o retorno. Disse ainda que trabalha em parceria com a rede privada e que transferências podem ocorrer.

 

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Araguaína disse que os leitos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araguaína foram retirados da taxa de ocupação do Boletim Informativo por se tratarem de leito de estabilização. Sobre os leitos pediátricos, a secretaria informou que continuarão fazendo parte da composição da taxa de ocupação porque são leitos de terapia intensiva que compõe a Rede de Atenção às Urgências e Emergências, conforme preconiza portaria do Ministério da Saúde.

 

O documento é assinado pelos promotores de Justiça Leonardo Gouveia Olhê Blanck e Saulo Vinhal da Costa além do defensor público Sandro Ferreira. Os três pedem ainda que a população mantenha o isolamento social e alertam para o fato de que Araguaína registrou no mês de julho uma média diária de 100 casos de Covid-19 confirmados, maior média do período de pandemia.

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