Secretário de saúde registra denúncia após pastor publicar vídeo dizendo que paciente que testou positivo não tem coronavírus

O pastor apresentou exame particular para questionar o diagnóstico, mas método utilizado pelo laboratório não detecta a doença nos primeiros dias de infecção. Ele também é suspeito de causar aglomerações de até 200 fiéis durante cultos.

Publicado em: 06 de Junho de 2020
Foto Por: Reprodução
Autor: G1 Tocantins
Fonte: G1 Tocantins
Pastor teria realizado cultos durante a pandemia

O secretário municipal de saúde de Lagoa da Confusão, Edvaldo Almeida Lima, registrou uma denúncia contra o pastor Rui da Silva Abreu, da igreja Assembleia de Deus, nesta sexta-feira (5).

 

O secretário procurou o Ministério Público em Cristalândia após o pastor insistir em promover cultos com aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus e divulgar vídeos afirmando que um paciente diagnosticado com a doença não estava infectado.

 

No vídeo o pastor apresenta um exame feito em laboratório particular que supostamente comprovaria que o paciente não estava infectado, mas o método utilizado no exame, segundo a Secretaria de Saúde, é o de sorologia.

 

Este método não detecta a presença do vírus nos primeiros dias da infecção e por isso é considerado pelos infectologistas menos confiável do que o método RT-PCR, que coleta material genético da garganta e do nariz do paciente. O exame positivo foi pelo método RT-PCR, realizado pelo Laboratório Central do Estado (Lacen).

 

O secretário também apresentou imagens postadas nas páginas oficiais da igreja que mostram as aglomerações. As imagens seriam do dia 6 de abril. Há outros vídeos em que Rui da Silva Abreu supostamente incita os moradores de Lagoa da Confusão a desrespeitarem as medidas de isolamento.

 

Na denúncia, o secretário de saúde destaca que a aceitação da população às medidas tem sido ampla e que outras igrejas estão contribuindo com o trabalho das equipes de saúde. O documento foi entregue para a promotora Munique Teixeira Vaz com um pedido de providências.

 

Após a denúncia, a promotora entrou com uma pedido na Justiça para que o pastor seja obrigado a cumprir as medidas de isolamento e deixe de realizar eventos com aglomerações sob multa de R$ 5 mil por dia de descumprimento. Ela pediu ainda que ele seja condenado por danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil.

 

O pastor Rui da Silva Abreu disse que não vai comentar o caso até ter acesso à denúncia.

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